Mundo
Guerra no Médio Oriente
Iémen. Arábia Saudita rejeita proposta de separatistas apoiados pelos EAU
O Conselho de Transição do Sul (STC), apoiado pelos Emirados Árabes Unidos, conquistou nas últimas semanas vastas áreas do Iémen, numa iniciativa relâmpago que abriu uma nova frente de conflito no país e que ameaça as relações entre Riade e Abu Dabi.
Num aparente gesto de boa-vontade, o STC propôs esta quinta-feira a
presença de tropas governamentais apoiadas por Riade nas áreas
recém-conquistadas, referindo que o controlo destes territórios
responde aos "esforços" da coligação liderada pela Arábia Saudita, para
garantir a segurança e a unidade do país.
Invocou nomeadamente "a nossa vontade de responder aos esforços louváveis dos nossos irmãos" no Iémen.
Este "destacamento ao longo da fronteira com a Arábia Saudita invalida
qualquer argumento apresentado" pelos sauditas, justificou à AFP o
porta-voz do STC, Anwar al-Tamimi.
A proposta do STC, foi várias vezes propostas pelos EAU e sempre rejeitada pela Arábia Saudita. Destinar-se-ia a envolver forças sulistas do chamado "Escudo Nacional", na segurança das áreas sob controlo separatista. O movimento diz pretender restabelecer a independência do sul do Iémen e
recusa retirar dos territórios recentemente conquistados, colocando em causa as tréguas em vigor desde 2022.
Tem o apoio da maioria da população local.
Uma fonte próxima do governo saudita reiterou contudo a exigência da retirada das tropas do STC das duas regiões.
"Temos de esperar para ver o que acontece no terreno", disse a fonte, falando sob anonimato, sublinhando que Riade só ficará satisfeita "se deixarem Hadramawt e Mahra".
A ofensiva-relâmpago dos separatistas, apoiados pelos Emirados Árabes Unidos, provocou a ira dos seus aliados na coligação liderada pela Arábia Saudita que combate há mais de uma décadas os rebeldes xiitas houthi.
Numa escalada entre as duas potências regionais tradicionalmente aliadas, a Arábia Saudita acusou os Emirados Árabes Unidos, na terça-feira, de estarem por detrás do recente avanço dos separatistas.
Considerou as ações de Abu Dabi "extremamente perigosas" e uma "ameaça" à sua segurança e à da região.
No mesmo dia, o reino bombardeou um carregamento de armas suspeito de ser proveniente dos Emirados Árabes Unidos num porto iemenita controlado pelo STC.
O governo dos Emirados Árabes Unidos, por sua vez, negou "alimentar o conflito", ao mesmo tempo que anunciou a retirada das suas restantes forças do Iémen por razões de "segurança".
com agências